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Quanto estoque de churrasqueira manter na loja

Revendapor Halisson

Lojista conferindo o estoque das prateleiras com uma prancheta na mão

A régua do varejo é manter estoque para cobrir de 30 a 60 dias de venda, e ela vale para churrasqueira fora da temporada. Dentro da temporada a conta muda: como a venda multiplica em poucas semanas, a cobertura passa a ser calculada sobre a venda esperada do pico, não sobre a média do ano. O número que amarra as duas contas é o ponto de reposição: venda média por dia, multiplicada pelo prazo que o fornecedor leva para entregar, mais uma folga de segurança. Quanto mais rápido o fornecedor entrega, menos dinheiro a loja precisa deixar parado na prateleira.

O erro aparece dos dois lados. Um é a prateleira vazia em novembro, com cliente perguntando e reposição a caminho que não chega. O outro é o depósito cheio em março, com o capital do fim de ano preso em churrasqueira que só volta a girar em julho. Nos dois casos ninguém calculou quanto estoque aquela loja precisa manter.

Quanto estoque o varejo recomenda manter

O Sebrae trabalha com uma régua simples para o pequeno comércio: manter estoque que cubra de 30 a 60 dias de vendas. Abaixo disso, a loja corre risco de ruptura a cada atraso do fornecedor; acima, o excesso desequilibra o capital de giro.

Essa mesma régua aparece por outro caminho na recomendação de giro do Sebrae, de 6 a 8 vezes por ano. As duas fecham entre si: girar 6 vezes ao ano significa, em média, manter cerca de 60 dias de estoque; girar 8 vezes, cerca de 45 dias. É a mesma orientação dita em duas unidades diferentes.

Para transformar isso em quantidade de peças, a conta é direta: venda média por dia × dias de cobertura. Uma loja que vende 6 churrasqueiras por mês vende 0,2 por dia; para cobrir 45 dias, precisa de 9 peças em estoque. O número parece pequeno, e é justamente por isso que ele precisa ser calculado: em produto de tíquete alto, cada peça a mais é capital imobilizado que demora a voltar.

Como dimensionar quando a loja ainda não tem venda média

A conta acima parte da venda média por dia, e numa categoria que a loja nunca vendeu esse número é zero. Zero multiplicado por qualquer cobertura continua zero, então estimar a demanda esperada só transfere o arbítrio para dentro da fórmula.

O varejo resolve isso pelo outro lado, com o orçamento de compras: em vez de calcular o estoque a partir da venda, define-se quanto capital vai para mercadoria no período e converte-se esse valor em peças. São quatro passos:

  1. Defina o teto, ou seja, quanto do capital de compras do mês pode ficar imobilizado nesta categoria.
  2. Divida o teto pelo custo médio da peça que a loja pretende expor.
  3. O resultado é o número de peças que cabe no caixa, que é diferente do que a demanda pediria.
  4. Confira se esse número cobre a janela que a loja quer atender, e não um mês qualquer.

O passo 2 é onde a decisão de mix aparece, e ela depende do custo real que a tabela do fornecedor traz. Só para mostrar o efeito da divisão, com valores arbitrados: um teto de R$ 2.400 dividido por peças de R$ 300 dá oito peças; por peças de R$ 800, três.

Falta o número que a fórmula pedia, e ele vem de um primeiro pedido pequeno, montado com modelos diferentes: em algumas semanas, ele devolve quais modelos saem e em quanto tempo. Como montar esse pedido e o que registrar quando a carga chega estão no artigo sobre o pedido de teste com fornecedor novo.

Uma ressalva de calendário para quem está entrando: o pedido de teste precisa caber antes da régua de 60 a 90 dias que antecede cada janela, porque é o resultado dele que dimensiona o pedido seguinte.

Encarregada conferindo a lista de produtos no depósito da loja

Como calcular o ponto de reposição

O ponto de reposição é o nível de estoque que, ao ser atingido, dispara o novo pedido. A fórmula é padrão na gestão de estoque de qualquer varejo:

Ponto de reposição = (venda média por dia × prazo de entrega do fornecedor em dias) + estoque de segurança

Na prática, com a loja das 6 churrasqueiras por mês: se o fornecedor entrega em 20 dias corridos, a loja consome 4 peças nesse intervalo. Somando uma folga de 2 peças para o caso de a venda acelerar, o pedido novo precisa ser disparado quando o estoque chegar a 6 peças. Esperar a última peça sair é garantir prateleira vazia pelo tempo inteiro do transporte.

O prazo do fornecedor é a variável que mais mexe nesse número, e ela não é fixa do mercado: é uma escolha de quem a loja contrata. Há fabricante no setor publicando até 40 dias só de produção, o que exigiria dessa mesma loja manter 8 peças só para cobrir a espera. A Forja Pampa publica produção sob demanda com despacho em 10 dias úteis e carga própria em 5 regiões programadas. A diferença entre os dois prazos, na conta acima, é dinheiro parado na prateleira do lojista.

O estoque de segurança segue a mesma lógica, e o tamanho dele depende de duas incertezas: quanto a venda oscila e quanto o fornecedor atrasa. Loja com venda estável e fornecedor pontual trabalha com folga pequena. Se a venda varia muito de semana para semana, ou se o fornecedor já furou prazo antes, a folga precisa crescer, e cada peça de folga é capital parado. Esse é o custo escondido de comprar de quem atrasa: não é só o transtorno da espera, é o estoque extra que a loja carrega o ano inteiro para se proteger dele. Os critérios para checar prazo e reputação antes de fechar estão no guia sobre como escolher um fornecedor de churrasqueira confiável.

Por que a conta de estoque muda na temporada

A régua de 30 a 60 dias pressupõe venda estável, e churrasqueira não tem venda estável. A demanda se concentra em três janelas conhecidas, com o fim de ano puxando o ano inteiro, como está detalhado no artigo sobre quando a churrasqueira vende mais no varejo.

Dentro da janela, a cobertura precisa ser calculada sobre a venda esperada daquele período, não sobre a média anual. Uma loja que vende 6 peças por mês na média pode vender 20 em dezembro; usar a média do ano para dimensionar o estoque de novembro deixa a loja sem produto no melhor mês.

O caminho prático é trabalhar com duas contas separadas:

As duas contas de cobertura de estoque na mesma loja
PeríodoBase de cálculoCobertura alvo
Fora da temporadaVenda média dos meses fracos30 a 60 dias, na régua do Sebrae
Entrando na temporadaVenda esperada da janela (pico), não a média do anoA janela inteira, comprada antes dela abrir
Durante a temporadaVenda dos últimos 7 a 15 dias, que é a realPonto de reposição recalculado com a venda acelerada
Saindo da temporadaVenda que já está caindoParar de repor antes do fim do pico

A linha que mais economiza dinheiro é a última. Repor no fim da temporada é o erro clássico: o pedido chega quando a demanda já passou, e aquele estoque atravessa o ano inteiro parado.

Quanto custa repor de pouco em pouco

Repor em lotes pequenos parece prudente, e tem um custo que não aparece na etiqueta: o frete. Churrasqueira é produto de cubagem alta, ocupa muito espaço no caminhão para o peso que tem, e o transporte é cobrado por isso. Um frete de carga fechada rateado entre 12 peças custa por peça bem menos que o mesmo frete dividido por 4.

A conta do estoque, então, tem duas forças puxando em direções opostas: repor pouco reduz o capital parado, mas aumenta o custo por peça; repor muito dilui o frete, mas prende dinheiro na prateleira. O ponto de equilíbrio de cada loja depende do espaço que ela tem e do quanto o frete pesa na região dela.

Duas coisas ajudam a resolver esse impasse sem chute. A primeira é o pedido mínimo em valor: quando o mínimo é contado em reais e não em unidades, dá para montar uma reposição enxuta misturando modelos, em vez de ser obrigado a levar meia dúzia do mesmo item. A segunda é a carga programada por região: fornecedor que já roda carga para a sua praça em datas conhecidas permite encaixar o pedido nessa viagem, o que reduz o custo e encurta o prazo.

Como acompanhar o estoque sem sistema

A maior parte das lojas pequenas controla estoque no caderno ou na cabeça, e para uma categoria só isso basta, desde que o registro exista. Quatro colunas resolvem, numa planilha ou numa folha na parede do depósito:

Controle mínimo de estoque para uma categoria
ColunaO que anotarPara que serve
ModeloNome e código de cada itemSeparar o que gira do que não gira
Saldo hojeQuantas peças estão na loja e no depósitoComparar com o ponto de reposição
Vendas do mêsQuantas saíram nos últimos 30 diasCalcular a venda média por dia
Ponto de reposiçãoO número calculado pela fórmulaDisparar o pedido sem depender da memória

Com essas quatro colunas atualizadas uma vez por semana, a decisão de repor deixa de ser sensação e vira comparação: saldo abaixo do ponto de reposição significa pedido. E é essa mesma tabela que mostra, ao fim da temporada, qual modelo merece mais espaço no ano seguinte.

O que fazer com o que sobrar depois do pico

Sobra de temporada não é problema em si, desde que seja pequena e planejada. Churrasqueira não estraga nem sai de moda, então o estoque residual serve como base para os feriados prolongados do primeiro semestre, que mantêm a categoria girando fora do pico.

O cuidado é com o mostruário: a peça exposta o ano inteiro desbota, amassa e vira desconto. Vale girar o modelo do mostruário junto com o estoque, vendendo o exposto e montando um novo, em vez de deixar a mesma peça na frente da loja por doze meses.

Funcionário contando caixas empilhadas no estoque

Quanto capital fica parado em cada peça

Com valores arbitrados, só para mostrar o efeito: nove peças na régua de 45 dias, num modelo de custo médio de R$ 300, são R$ 2.700 parados; o mesmo número num modelo de R$ 800 são R$ 7.200. Os dois valores são hipóteses de conta, não preços da fábrica, que envia a tabela por CNPJ. Estoque parado é dinheiro parado, e pesa mais em produto de tíquete alto. A quantidade é igual, o capital preso é quase o triplo.

Por isso a decisão de mix pesa tanto quanto a de quantidade: uma loja com pouco capital de giro cobre melhor a demanda com mais peças de faixa média do que com poucas peças caras paradas. A conta completa de margem e giro, que fecha esse raciocínio, está no artigo sobre a margem de lucro na revenda de churrasqueira, e os modelos disponíveis em cada faixa estão no catálogo da fábrica.

Vale lembrar do diagnóstico que a Anamaco publicou sobre o varejo de material de construção: em mais de 600 empresas analisadas, 92% não calculavam corretamente a formação de preço, o custo do dinheiro e a margem ajustada ao risco. O custo do dinheiro parado em estoque é uma dessas contas, e a maioria das lojas não faz.

Como programar a reposição com o fornecedor

Três perguntas ao fornecedor, feitas antes do primeiro pedido, transformam o cálculo do estoque em rotina:

  1. Qual o prazo real de despacho, com data? É o número que entra na fórmula do ponto de reposição. Prazo vago não permite calcular nada.
  2. Existe pedido mínimo que caiba na reposição? Repor de pouco em pouco só funciona se o mínimo permitir. Na compra direto da fábrica, o pedido mínimo para lojista é de R$ 500, e ele é de valor, não de quantidade: dá para repor misturando modelos.
  3. Como funciona a programação de carga para a minha região? Fornecedor com carga programada permite encaixar a reposição no calendário dele, o que encurta o prazo efetivo.

Com essas três respostas na mão, a loja monta a régua própria: cobertura para os meses normais, pedido cheio antes da janela, e reposição disparada no ponto calculado. As condições completas de quem compra direto da fábrica estão na página para lojistas.

As pessoas também perguntam

Quantos dias de estoque uma loja deve manter? A régua do Sebrae para o pequeno comércio é de 30 a 60 dias de venda. Em produto sazonal como churrasqueira, essa cobertura vale para os meses normais; na temporada, o cálculo passa a ser feito sobre a venda esperada do pico.

Como calcular o ponto de reposição? Multiplique a venda média por dia pelo prazo de entrega do fornecedor em dias e some um estoque de segurança. O resultado é o nível em que o novo pedido precisa ser disparado.

O que é estoque de segurança? É a folga que cobre imprevistos: venda acima do esperado ou atraso do fornecedor. Em produto com prazo de entrega longo, essa folga precisa ser maior, o que aumenta o capital parado na loja.

Quanto estoque de churrasqueira manter na loja?

Fora da temporada, o suficiente para cobrir de 30 a 60 dias de venda, que é a régua do Sebrae para o pequeno varejo. Na temporada, a cobertura é calculada sobre a venda esperada da janela, e não sobre a média do ano.

Como o prazo do fornecedor muda o estoque necessário?

Diretamente: o ponto de reposição inclui a venda do período de entrega. Fornecedor que entrega em 10 dias úteis exige menos estoque parado do que um que leva 40 dias de produção, porque a loja precisa cobrir menos tempo de espera.

Qual o risco de manter estoque demais?

Capital imobilizado. Em produto de tíquete alto, poucas peças a mais representam milhares de reais parados, que deixam de comprar mercadoria que giraria mais rápido.

Quando parar de repor churrasqueira na temporada?

Antes do fim do pico. Pedido disparado no fim da janela costuma chegar depois que a demanda passou, e esse estoque atravessa o ano parado até a próxima temporada.

Dá para repor pouca quantidade por vez?

Depende do pedido mínimo do fornecedor. Na compra direto da fábrica, o mínimo para lojista é de R$ 500 e é contado em valor, não em quantidade, o que permite montar reposições menores misturando modelos.

A conta do estoque começa pelo prazo do fornecedor. Peça o prazo de despacho com data e as condições para CNPJ no WhatsApp, e monte a régua da sua loja com números reais: as condições de lojista, com pedido mínimo de R$ 500, estão na página para lojistas, e o cadastro fica na página de contato.

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